Academia

  • NKK na cidade do Rio de Janeiro

    por Rosalvo Zanella Gomes (2009).

    O surgimento da academia NKK na cidade do Rio de Janeiro está intrinsecamente ligado à vinda do Shihan Sadamu Uriu para esta cidade, a NKK - Nihon Karate Kyokai é o nome fantasia desde 1976, a razão social é Associação Karate Clube.

    Imigrante japonês, remanescente das desditas de sua pátria mãe, o Japão, após a II Guerra Mundial, da qual participou o sensei Uriu. Primeiramente estabeleceu-se em São Paulo, por um breve período, para posteriormente, estudante que fora da Universidade Takudai em Tókio, formado em economia, mas especialista na área de Artes Marciais, tentar desenvolver o Karate estilo Shotokan no Brasil.

    Após breve permanência no estado da Bahia, veio estabelecer-se na cidade do Rio de Janeiro, montando sua primeira academia na Rua Rocha Miranda, 103, denominada Shidokan pelos idos de 1964.

    Nessa época, basicamente somente dois mestres estavam no Rio de Janeiro. O sensei Uriu, que se fixou na Tijuca e o sensei Tanaka da Kobukan no Flamengo. Deve-se citar que o Karate era muito pouco difundido na época no Rio de Janeiro, sendo a Arte Marcial mais conhecida e em moda, o Judô.

    A objetividade do Karate e especialmente o sensei Uriu, um jovem japonês com cerca de trinta anos, com um português muito arrastado, mas dono de uma agilidade, força e de um reflexo impressionante, chamava a atenção.

    Neste tempo, o Karate tinha aulas especificas, sendo kihon as segundas-feiras, kata as quartas-feiras e kumite as sextas-feiras (sextas-feiras sendo conhecida pelos vizinhos como a sexta-feira da morte, pois o sensei Uriu lutava com todos os alunos, fechava a porta e só se escutava gemidos de dores).

    Nesta época treinavam excelentes atletas, tais como Fernando Pessoa (um dos primeiros faixas preta do Rio de Janeiro), Raimundo, Amaury, Sérgio Colombo, Cel. Valporto, e outros, assim como impressionava o pequenino filho mais velho do sensei, hoje em dia, o atual presidente da CBKS, Cézar Tatsutaka Uriu.

    Outro atleta que impressionava também, era o sensei Inoki, que há época, residia com sensei Uriu, e não só bebia seus conhecimentos, como também puxava alguns treinamentos.

    No inicio dos anos 70, o sensei Uriu mudou-se para a Rua Conde de Bonfim, 932, e lá estavam excelentes Karatecas, tais como Celso Rodrigues (na época faixa laranja) Grillo, Ninja, dentre outros, sendo que, é necessário falar que a família Kohara, que posteriormente se tornaram diretores da FEKRJ, lá treinavam então como faixas verde e roxa, bem como o Alcione.

    Em meados de 76, sensei Uriu continuava localizado na Tijuca, mas desta vez na Rua Félix da Cunha, 65, até os dias atuais, sendo que a academia passara a denominar-se NKK, em virtude do estreito relacionamento do sensei Uriu com os mestres da então Nihon Karate Kyokai (sensei Nakayama fora seu professor na Universidade Takudai, de onde saíram os maiores e melhores Karatecas do Mundo).

    Ótimos Karatecas treinavam nesta época, tais como Roberto Pestana (pai), Florisvaldo, Alain Ruta, Dedinho, Pisca, Alexandre Menescal, Júlio Arara, Veriano Dovalski, Diogo Yoshida, na época garoto ainda (fizemos a final de kumite do 1º Torneio Shotokan do Rio de Janeiro no Country Clube da Tijuca), Wilson Serzedello, e muito outros que a memória falha, mas a quem peço desculpas por não citá-los aqui.

    Na NKK, consegui meu primeiro dan, em exame do qual participaram também, Cézar Uriu, André Roma, Ricardo, Marquinhos Vasconcelos, Diamantino, entre outros.

    Hoje, residindo em Petrópolis, estou pela distância fisicamente impedido, de estar no dia a dia dos treinamentos da NKK, no entanto, jamais perdendo o vinculo com os amigos que lá tenho e especialmente com o mestre Sadamu Uriu, pessoa digna de meu respeito e admiração total, não só pelos seus conhecimentos do Karate, mas pelo seu caráter, sua idoneidade, sua sinceridade, predicados que consegue transmitir aos seus alunos e que sem dúvida ajudaram a formar meu caráter e minha índole.